   # Clindamicina e sulfametoxazol-trimetoprima podem ter taxas de cura similares em pacientes com infecções de pele não complicadas

 

 

      MBE em Foco - Volume 3, Issue 4 

Referência: [N Engl J Med 2015 Mar 19;372(12):1093](http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25785967?dopt=Abstract&holding=caugamlib) ([evidência de nível 2 \[médio\]](http://www.dynamed.com/home/content/levels-of-evidence))

As infecções de pele são um dos tipos mais comuns de infecção em todo o mundo, afetando pessoas de todas as idades e nacionalidades ([J Invest Dermatol 2014 Jun;134(6):1527](http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24166134?dopt=Abstract&holding=caugamlib)). A incidência dos abcessos e celulites parecem estar aumentando nos Estados Unidos, onde o Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA) tem sido identificado como a causa principal de abcessos cutâneos, pústulas e furúnculos ([Arch Intern Med 2008 Jul 28;168(14):1585](http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24166134?dopt=Abstract&holding=caugamlib), [BMC Infect Dis 2013 May 30;13(1):252](http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23721377?dopt=Abstract&holding=caugamlib)). A suspeita de infecção por MRSA adquirida na comunidade é muitas vezes tratada com clindamicina ou sulfametoxazol-trimetoprima (TMP-SMX, combinação também conhecida como co-trimoxazol), mas certas cepas de MRSA podem ter resistência induzida à clindamicina. O potencial de resistência induzível pode influenciar alguns médicos a preferirem TMP-SMX para potenciais infecções por MRSA. Além disso, a clindamicina tem um custo relativamente mais elevado e um maior risco de infecção pelo C. difficile que, juntamente com padrões de resistência locais, podem ser fatores importantes para a decisão clínica ([J Fam Pract 2013 Nov;62(11):624](http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24288707), [J Antimicrob Chemother 2013 Sep;68(9):1951](http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23620467?dopt=Abstract)). Um recente estudo randomizado comparou a clindamicina a 150mg três vezes ao dia com TMP-SMX 160mg/800mg duas vezes por dia durante 10 dias em 524 pacientes (idade média de 27 anos) com infecções cutâneas não complicadas, incluindo celulites, abscessos com mais de 5 cm de diâmetro ou ambos.

Dos 524 pacientes recrutados, 29,6% eram crianças. As infecções apresentadas incluíram celulites em 53,4% dos casos, abcessos em 30,5% e uma infecção mista definida como lesão por celulite e um ou mais abcessos em 15,6% dos casos. Todos os abscessos foram drenados antes da administração de antibióticos. Culturas foram colhidas em 56,5% dos pacientes e o S. aureus foi isolado em 73,3% das culturas (e em 77% das quais identificado como MRSA). No geral, não houve diferença significativa entre as taxas de cura clínica entre os dias 7 e 10 do tratamento comparando a clindamicina com o TMP-SMX, com a cura clínica ocorrendo em 80,3% dos pacientes sob clindamicina e 77,7% dos pacientes sob TMP-SMX. Em uma análise de subgrupos de pacientes com celulite sem abscesso, a clindamicina foi associada a uma taxa de cura de 80,9% em comparação com 76,4% com o TMP-SMX (diferença não significativa). Também não houve diferenças significativas nas taxas de cura em 7-10 dias para pacientes com abcessos, de cura clínica geral em 1 mês, ou de eventos adversos.

Os resultados deste ensaio sugerem que a clindamicina e o TMP-SMX parecem igualmente eficazes no tratamento de infecções cutâneas não complicadas em adultos e crianças. Estudos anteriores sugeriram, no entanto, que os antibióticos sistémicos após a incisão e drenagem de abscessos cutâneos não complicados podem não aumentar a taxa de cura clínica ([Emerg Med J 2013 May 18 early online](http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23686731?dopt=Abstract&holding=caugamlib)), de maneira que muitos pacientes deste ensaio poderiam, talvez, ter atingido a cura clínica mesmo sem antibióticos. Na verdade, a Sociedade Americana de Doenças Infecciosas (IDSA) recomenda a incisão e drenagem com limpeza completa de todo o material purulento como terapia primária para abscessos cutâneos e só recomenda antibióticos sistêmicos para pacientes com comprometimento do sistema imunológico ou sinais de resposta inflamatória sistêmica ([Clin Infect Dis. 2014 Jul 15;59(2):e10](http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24947530?dopt=Abstract&holding=caugamlib)). A IDSA também recomenda agentes antimicrobianos ativos contra estreptococos como tratamento de primeira linha para pacientes com celulite, a menos que tenham fatores de risco para MRSA ou sintomas de síndrome de resposta inflamatória sistêmica, uma vez que as espécies estreptocócicas parecem ser a causa mais comum de celulite ([Medicine (Baltimore) 2010 Jul;89(4):217](http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20616661?dopt=Abstract&holding=caugamlib), [Clin Infect Dis 2008 Mar 15;46(6):855](http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/18260753?dopt=Abstract&holding=caugamlib)). A análise do subgrupo de pacientes com celulites sem abscessos sugere que a clindamicina pode ter uma taxa de cura clínica ligeiramente mais elevada em relação ao TMP-SMX nesta população, mas esta comparação de subgrupos provavelmente tem pouca força para detectar diferenças estatisticamente significativas.

Para mais informações, veja os tópicos [Abscessos cutâneos, pústulas e furúnculos](http://web.b.ebscohost.com/dynamed/detail?sid=c93a6c9d-2bd3-4423-9626-3bfd571b3ae9%40sessionmgr113&vid=0&hid=107&bdata=JnNjb3BlPXNpdGU%3d#AN=116747&db=dme) e [Celulite](http://web.b.ebscohost.com/dynamed/detail?sid=355b7342-354c-4325-94bd-bd4d20b996b3%40sessionmgr102&vid=0&hid=107&bdata=JnNjb3BlPXNpdGU%3d#AN=116794&db=dme) na DynaMed.