   # Descolonizando as casas de repouso: um banho de clorexidina por vez

 

 

      MBE em Foco - Volume 10, Issue 1 

Referência: [N Engl J Med. 2023 Nov 9; 389(19):1766](https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37815935/)

**Conclusão prática: A descolonização universal dos residentes de ILPIs com clorexidina e iodofórmio nasal está associada a uma redução das hospitalizações por infecções.**

**Pílula da MBE: Os participantes agrupados (em *clusters*) provavelmente terão exposições, tratamentos e, portanto, desfechos semelhantes. Para alguns ensaios, como os que envolvem residentes de instituições para idosos, a randomização em *clusters* -em vez de individualmente- reduz a confusão.**

As infecções que ocorrem nas instituições de longa permanência para idosos (ILPIs) são uma das principais causas de hospitalizações e mortes, e há fortes evidências de que as ILPIs funcionam como um repositório de organismos multirresistentes (MDROs). Uma forma de combater o aumento dos MDROs envolve a descolonização com antissépticos tópicos. Até recentemente as evidências existentes para a descolonização eram principalmente em relação aos conhecidamente portadores de MDROs ou a situações de alto risco, como certos pacientes em pré-operatório ou de UTIs. No entanto, um ensaio recente publicado no NEJM descobriu que a descolonização universal de residentes de lares para idosos no sul da Califórnia levou a significativamente menos infecções e hospitalizações.

Os pesquisadores randomizaram 28 ILPIs com 28.956 residentes para receberem descolonização universal com clorexidina e iodofórmio nasal ou os cuidados habituais por 18 meses. Antes das intervenções, 18 meses de dados basais foram coletados para ambos os grupos, e as casas de repouso alocadas para descolonização passaram por um período introdutório adicional de 4 meses para treinamento de pessoal. A descolonização foi realizada com clorexidina (lenço com clorexidina a 2% para banho no leito ou solução a 4% para banho no chuveiro) à admissão e durante todos os banhos de rotina, além de iodofórmio nasal administrado por uma enfermeira (iodopovidona a 10%) duas vezes ao dia nos primeiros 5 dias após a admissão, e depois a cada duas semanas. Os desfechos primário e secundário foram hospitalização por infecção ou por qualquer motivo, respectivamente.

A análise por intenção de tratar demonstrou redução significativa das internações no grupo da descolonização. Em comparação com a assistência de rotina, o NNT para prevenir uma hospitalização relacionada a infecção foi de 9,7, e o NNT para prevenir uma hospitalização por qualquer motivo foi de 8,9.

Diante desses resultados, a descolonização universal para os residentes de ILPIs parece ser uma empreitada que vale a pena. Parabenizamos os autores pelo uso de um desenho randomizado por *clusters*. Esse desenho é ótimo quando o alvo da intervenção é um grupo ou um sistema ao invés de um indivíduo. Ele ajuda a evitar confusões, dado que os participantes de um grupo (residentes da mesma casa de repouso) provavelmente serão tratados de forma semelhante e terão exposições semelhantes (como em um surto de gripe) e, portanto, provavelmente terão desfechos semelhantes.

Embora não necessariamente duvidemos da eficácia da descolonização universal, nós nos perguntamos sobre sua efetividade - qual seria a magnitude do efeito em circunstâncias do mundo real. A maioria das ILPIs não tem exatamente colaboradores com tempo sobrando, e esta intervenção requer recursos adicionais. Até o relato, 3 das 14 ILPIs do grupo da descolonização abandonaram o ensaio por falta de recursos para realizar a intervenção. Da mesma forma, a adesão ao iodóforo nasal foi de apenas 60%, o que provavelmente é pelo menos em parte explicado pela exigência da administração por enfermeiros (em vez de auxiliares ou cuidadores). Embora a mudança para uma lavagem com clorexidina possa ser viável, a descolonização nasal como realizada neste estudo pode representar mais um desafio prático. No entanto, este estudo defende de forma bastante contundente a eficácia da descolonização universal dos residentes de ILPIs. Resta-nos descobrir como implementar uma intervenção eficaz com os recursos disponíveis.

Para mais informações consulte o tópico [Staphylococcus aureus resistente a meticilina (MRSA)](https://www.dynamed.com/condition/methicillin-resistant-staphylococcus-aureus-mrsa) na DynaMed.

**Equipe editorial do MBE em Foco da DynaMed**

Este MBE em Foco foi escrito por Nicole Jensen, MD, médica de família da WholeHealth Medical. Editado por Alan Ehrlich, MD, editor executivo da DynaMed e professor associado de Medicina de Família na faculdade de medicina da Universidade de Massachusetts; Katharine DeGeorge, MD, MSc, editora adjunta sênior da DynaMed e professora associada de Medicina de Família na Universidade da Virgínia. Dan Randall, MD, editor adjunto da DynaMed; Vincent Lemaitre, PhD, editor médico da DynaMed; Elham Razmpoosh, PhD, pesquisadora em pós-doutorado na Universidade McMaster; Hannah Ekeh, MA, editora associada sênior da DynaMed; e Jennifer Wallace, BA, editora associada da DynaMed. Traduzido para o português por Cauê Monaco, MD, MSc, docente do curso de medicina do Centro Universitário São Camilo.