   # Em pacientes com dor abdominal inexplicável após uma colecistectomia, realizar uma esfincterotomia não reduz a incapacidade devida à dor

 

 

      MBE em Foco - Volume 1, Issue 8 

[Read the complete MBE em Foco](http://archive.constantcontact.com/fs132/1102736301344/archive/1118146170921.html).

Reference: [JAMA 2014 May 28;311(20):2101](http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24867013) ([evidência de nível 1 \[provavelmente confiável](https://dynamed.ebscohost.com/content/LOE))

Estima-se que as colecistopatias resultem em mais de 1 milhão de internações e mais de 700 mil cirurgias nos Estados Unidos a cada ano ([J Gastrointest Surg 2012 Nov;16(11):2011](http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3496004/#R1)). A análise conjunta dos dados de dois ensaios randomizados concluiu que mais de 25% dos pacientes submetidos a colecistectomia têm dor persistente cinco anos após a cirurgia ([J Gastrointest Surg 2005 Jul-Aug;9(6):826](http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/15985239)), muitas vezes sem alterações significativas nos exames de imagem ou testes laboratoriais padrão. Os pacientes com dor persistente debilitante podem ser submetidos a uma colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE) para identificar uma outra patologia ou avaliar uma potencial disfunção do esfíncter de Oddi, e alguns destes pacientes podem também ser submetidos a esfincterotomia subsequente, embora este procedimento não tenha demonstrado ser benéfico na ausência de achados anormais laboratoriais ou de imagem. Um recente estudo randomizado comparou a esfincterotomia a uma intervenção simulada em 214 adultos (92% mulheres) com dor abdominal não explicada após uma colecistectomia.

O estudo incluiu pacientes com dor abdominal inexplicável por&gt; 3 meses após a colecistectomia e nenhuma intervenção anterior no esfíncter. Todos os pacientes realizaram a CPRE antes da randomização. Os pacientes foram randomizados para esfincterotomia (141 pacientes) versus cirurgia fictícia (73 pacientes) e acompanhados por 1 ano. Um total de 99 pacientes com a pressões elevadas do esfíncter pancreático no grupo da esfincterotomia foram posteriormente randomizados para esfincterotomia biliar (single) versus esfincterotomia biliar e pancreática (dual). O sucesso do tratamento foi definido como &lt;6 dias de incapacidade devida à dor, sem uso de opioides ou outra intervenção no esfíncter por 3 meses.

A taxa de sucesso do tratamento em 1 ano foi de 23% com esfincterotomia versus. 37% com o tratamento simulado (p = 0,01). Não houve diferenças significativas entre os grupos quanto a necessidade de repetição da CPRE (37% vs 25%) ou taxa de pancreatites (11% vs 15%). Além disso, não houve diferenças significativas no sucesso do tratamento na comparação entre esfincterotomias única e dupla no subgrupo de pacientes com pressão do esfíncter pancreático elevada.

O controle da dor inexplicável pós-colecistectomia pode ser frustrante para o paciente e seu médico, e os dados que apoiam as opções atuais de diagnóstico e abordagens de tratamento são limitados. Os resultados deste ensaio mostram que a esfincterotomia não reduz a incapacidade relacionada à dor em pacientes com dor abdominal inexplicada após colecistectomia. Cerca de 12% do total dos doentes têm pancreatite após CPRE, consistentes com os dados anteriores que sugerem um risco aumentado tanto de pancreatite quanto de perfuração com este procedimento ([N Engl J Med 1996 Sep 26;335(13):909](http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/8782497) [full-text](http://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJM199609263351301)). Dados os riscos potenciais envolvidos com a esfincterotomia, não se justifica a sua utilização nesta população de pacientes para o tratamento da dor inexplicável.

Para mais informações, veja o tópico [Colecistectomia](http://search.ebscohost.com/login.aspx?direct=true&db=dme&AN=900759&site=dynamed-live&scope=site) no Dynamed.