   # Interrupção da estatina pode aumentar qualidade de vida em pacientes com doença terminal sem afetar sobrevida média

 

 

      MBE em Foco - Volume 3, Issue 5 

Referência: [JAMA Intern Med 2015 Mar 23 early online](http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25798575?dopt=Abstract) ([evidência de nível 2 \[médio\]](http://dynamed.us11.list-manage.com/track/click?u=dc55bfa3af9dfc4859df609ea&id=10989d2169&e=e734d22d9e))

Pacientes com doença avançada limitante da vida, em geral, também tomam uma série de medicamentos para doenças específicas, além dos medicamentos sintomáticos e para as comorbidades ([J Am Geriatr Soc 2007 Apr;55(4):590](http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/17397439?dopt=Abstract)). Já a polifarmácia pode ser associada a um maior risco de eventos adversos, redução da qualidade de vida e maiores encargos financeiros ([Arch Intern Med 2006 Mar 27;166(6):605](http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/16567597?dopt=Abstract)). Interromper as medicações desnecessárias pode melhorar o bem-estar geral do paciente, mas pode ser difícil determinar quais medicamentos podem ser interrompidos com segurança ([J Am Geriatr Soc 2008 Oct;56(10):1946](http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/18771457?dopt=Abstract), [Drugs Aging 2013 Sep;30(9):655](http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23749475?dopt=Abstract)). Uma vez que os benefícios clínicos de estatinas na prevenção primária e secundária das doenças cardiovasculares somente são obtidos ao longo do tempo e elas podem estar associadas a um risco aumentado de eventos adversos, tais como sintomas gastrointestinais, miopatia e dor musculoesquelética ([JAMA 1999 Dec 22-29;282(24):2340](http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/?term=LaRosa+JC%2C+He+J%2C+Vupputuri+S.+Effect+of+statins+on+risk+of+coronary+disease%3A+ameta-analysis+of+randomized+controlled+trials)), têm-se identificado as estatinas como candidatas razoáveis para a descontinuação em pacientes com expectativas de vida limitadas. Um recente estudo randomizado comparou a manutenção de estatinas com a sua descontinuação em 381 pacientes (idade média de 74 anos) com doenças limitantes de vida avançadas que estavam em terapia com estatina por ≥ 3 meses. Todos os pacientes incluídos neste estudo tinham uma expectativa de vida estimada entre 1 mês a 1 ano e recente deterioração do seu status funcional (não relacionada à saúde ou status cardiovascular). A maioria dos pacientes (69%) estava tomando estatinas por &gt; 5 anos e quase metade deles (48,8%) tinha um diagnóstico primário de câncer.

Embora este ensaio tenha sido originalmente concebido para determinar o efeito da interrupção da estatina sobre a sobrevida, este resultado primário foi modificado para morte em até 60 dias após uma análise intermediária pré-especificada ter observado uma maior sobrevida mediana que o inicialmente previsto. A duração média do seguimento foi de 18 semanas e, em geral, a sobrevida média foi de 213 dias. Comparando a descontinuação da estatina com a continuação, a morte no prazo de 60 dias ocorreu em 23,8% versus 20,3% dos casos (não significativa), e os tempos medianos até morte foram de 229 dias versus 190 dias (diferença não significativa). Também não houve diferenças significativas com relação a eventos cardiovasculares, sintomas físicos, sintomas especificamente relacionados ao uso da estatina ou estado de desempenho funcional. A interrupção da estatina foi associada a um aumento total da qualidade de vida na escala de McGill em comparação com a sua continuidade (7,11 versus 6,85; p = 0,04). A descontinuação das estatinas também foi associada a uma economia de custos de US $ 3,37 por paciente por dia, totalizando uma média de US $ 716,46 para o restante da vida do paciente.

Este ensaio sugere que a interrupção da estatina pode não influenciar a sobrevida ou aumentar a taxa de eventos cardiovasculares em pacientes com doença avançada limitante da vida, mas pode estar associada a uma pequena melhoria na qualidade de vida do paciente e economias financeiras significativas. Embora estes resultados sugiram que os benefícios da interrupção podem superar o risco de eventos cardiovasculares em pacientes com expectativa de vida limitada, estes resultados não provam de maneira definitiva que a descontinuação da estatina não tem impacto na sobrevida do paciente (provavelmente o estudo teve pouca potência para esse desfecho). O momento ideal para a interrupção estatina ao final da vida, no entanto, ainda requer uma investigação mais aprofundada.

Para maiores informações, veja o tópico [Estatinas para a prevenção da doença cardiovascula](http://web.b.ebscohost.com/dynamed/detail?sid=587eee6f-1436-44eb-bafe-0afee157604c%40sessionmgr114&vid=0&hid=116&bdata=JnNjb3BlPXNpdGU%3d#AN=115052&db=dme)r na DynaMed.