   # Paxlovid previne COVID longa

 

 

      MBE em Foco - Volume 9, Issue 15 

Referência: [JAMA Intern Med 2023 Jun 1; 183(6):554-564](https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36951829/)

**Conclusão prática: O paxlovid parece reduzir a mortalidade e o risco de COVID longa em pessoas de alto risco.**

**Pílula da MBE: Os dados de desfechos de estudos observacionais são geralmente considerados menos definitivos do que dados de ensaios clínicos randomizados, mas os dados observacionais têm o poder de gerar novas hipóteses que podem mudar a direção das pesquisas futuras.**

Quando os relatos de uma "COVID de longa duração" surgiram pela primeira vez no início de 2020, alguns de nós tivemos flashbacks de síndromes descritas anteriormente, como a [encefalomielite miálgica/síndrome da fadiga crônica](https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37590180/) (ME/CFS) e a [síndrome da doença de Lyme pós-tratamento.](https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37711861/) Como se vê, muitas pessoas que tiveram COVID são relatam experienciar sintomas e incapacidade em longo prazo, bem como taxas mais altas de doenças hepática, renal, pulmonar e cardiovascular/metabólica que podem ser tanto graves [quanto duradouras.](https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37605232/)

Recentemente, pesquisadores realizaram uma análise retrospectiva de coorte das taxas de problemas de saúde iniciados após uma infecção por COVID-19 em cerca de 300.000 veteranos, comparando aqueles que receberam nirmatrelvir\* dentro de 5 dias após o início dos sintomas (37.466) com os que não receberam tratamento. Os participantes eram principalmente homens idosos com pelo menos um fator de risco para desfechos graves da COVID-19 em curto prazo. A maioria tinha sobrepeso e havia sido vacinada. Os pesquisadores tentaram ajustar as comparações com base nas doenças pré-existentes e nas características demográficas usando análises de propensão. De modo não surpreendente, a mortalidade a 30 dias foi significativamente menor naqueles que receberam a medicação versus aqueles que não a receberam (4,7% vs. 13,4%; aqueles que faleceram foram excluídos da análise do desfecho de doença de início após a COVID). No entanto, o tratamento também reduziu significativamente a incidência de complicações pós-COVID a 180 dias, com uma redução do risco absoluto de 4,51% (IC de 95%: 4,01-4,99).

O que foi mais interessante, no entanto, foi a maneira como os pesquisadores definiram "COVID longa": qualquer uma de treze doenças distintas diagnosticadas 30 dias após a infecção inicial por COVID. A lista incluiu não apenas sintomas como fadiga/mal-estar, dispneia e mialgia, mas também complicações objetivas, como lesão renal aguda, embolia pulmonar ou arritmia. Os resultados mostraram que, entre 30 dias e 6 meses, o grupo tratado foi menos propenso a ter qualquer um desses 13 diagnósticos, embora a probabilidade de diabetes de início recente, doença hepática ou tosse não tenha sido significativamente diferente. O interessante para os céticos entre nós foi que a redução de sintomas como alterações cognitivas ou dispneia foi quase paralela a uma redução dos diagnósticos objetivos, como embolia pulmonar ou doença cardíaca isquêmica, as quais teríamos considerado complicações da COVID em vez de partes de uma síndrome.

Quando a maioria de nós pensa nos pacientes em nosso consultório como tendo "COVID-longa" pensamos em dispneia, fadiga, disautonomia e comprometimento neurocognitivo. Muitos de nós podem não considerar complicações objetivas da COVID, como embolia pulmonar e arritmia, como estando na mesma categoria. Embora ainda estejamos [longe](https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37091941/) de uma definição universalmente aceita da COVID longa, nossa busca por essa clareza poderia potencialmente nos ajudar a entender melhor outras síndromes misteriosas, como a ME/CFS... ou talvez entende-las de forma diferente. Embora possa haver controvérsia sobre a maneira como os autores deste estudo agruparam sintomas e achados objetivos, talvez o que mais importe é que o nirmatrelvir parece ser efetivo para prevenir ambos.

*\*Os autores apenas afirmam explicitamente que os pacientes receberam nirmatrelvir, mas após consulta com nossos colegas farmacêuticos, achamos que é seguro assumir que os participantes receberam a associação nirmatrelvir-ritonavir (Paxlovid).*

Para obter mais informações, consulte o tópico [COVID-19](https://www.dynamed.com/condition/covid-19) no DynaMed.

**Equipe editorial do MBE em Foco da DynaMed**

Este MBE em Foco foi escrito por Dan Randall, MD, editor adjunto da DynaMed. Editado por Alan Ehrlich, MD, editor executivo da DynaMed e professor associado de Medicina de Família na faculdade de medicina da Universidade de Massachusetts; Katharine DeGeorge, MD, MSc, editora adjunta sênior da DynaMed e professora associada de Medicina de Família na Universidade da Virgínia; Nicole Jensen, MD, médica de família na WholeHealth Medical; Vincent Lemaitre, PhD, editor médico da DynaMed; Elham Razmpoosh, PhD, pesquisadora em pós-doutorado na Universidade McMaster; Hannah Ekeh, MA, editora associada sênior da DynaMed; e Jennifer Wallace, BA, editora associada da DynaMed. Traduzido para o português por Cauê Monaco, MD, MSc, docente do curso de medicina do Centro Universitário São Camilo.