   # Vacinação contra HPV não está associada a aumento de doenças sexualmente transmissíveis em adolescentes do sexo feminino

 

 

      MBE em Foco - Volume 2, Issue 20 

Referência: [JAMA Intern Med 2015 Feb 9 early online](<700). Um estudo recente comparou as incidÃªncias de infecÃ§Ãµes sexualmente transmissÃ­veis entre 21.610 adolescentes do sexo feminino com idades entre 12 e 18 anos que receberam pelo menos uma dose da vacina contra o HPV nos Estados Unidos contra 186.501 adolescentes com caracterÃ­sticas semelhantes, mas nÃ£o vacinadas, utilizando dados longitudinais de seguradoras. As adolescentes vacinadas e nÃ£o vacinadas foram pareadas por idade, residÃªncia e plano de saÃºde, mas foram permitidos vÃ¡rios controles nÃ£o vacinados para cada adolescente vacinada. As taxas de vacinaÃ§Ã£o variaram de maneira significativa por regiÃ£o geogrÃ¡fica dos EUA e as taxas mais baixas foram encontradas no Sul. As taxas de infecÃ§Ãµes sexualmente transmissÃ­veis das adolescentes vacinadas e nÃ£o vacinadas foram determinadas para o perÃ­odo de tempo que incluiu um ano antes e um ano apÃ³s a vacinaÃ§Ã£o. No ano anterior Ã  vacinaÃ§Ã£o, as adolescentes que receberam a vacina contra HPV tiveram uma incidÃªncia significativamente maior de qualquer doenÃ§a sexualmente transmissÃ­vel e um maior percentual de uso de contraceptivos orais. Para controlar estas diferenÃ§as iniciais, foi realizada uma anÃ¡lise do tipo â&#128;&#156;diferenÃ§as-em-diferenÃ§asâ&#128;&#157; comparando as mudanÃ§as nas incidÃªncias das infecÃ§Ãµes sexualmente transmissÃ­veis do ano anterior Ã  vacinaÃ§Ã£o atÃ© 1 ano apÃ³s a vacinaÃ§Ã£o nos grupos vacinado e nÃ£o vacinado. As taxas de doenÃ§as sexualmente transmissÃ­veis aumentaram em ambas as populaÃ§Ãµes no ano posterior Ã  vacinaÃ§Ã£o. A anÃ¡lise â&#128;&#156;diferenÃ§as-em-diferenÃ§asâ&#128;&#157;, no entanto, nÃ£o apresentou diferenÃ§a significativa nas infecÃ§Ãµes sexualmente transmissÃ­veis entre as adolescentes vacinadas e nÃ£o vacinadas (odds ratio 1,05, IC de 95% 0,8-1,38). Resultados semelhantes foram encontrados nas anÃ¡lises de subgrupos de adolescentes com idades entre 12 e 14 anos e 15 e 18 anos e de adolescentes que usavam medicamentos anticoncepcionais. Os resultados deste estudo sugerem que a vacinaÃ§Ã£o contra o HPV nÃ£o estÃ¡ associada a aumentos nas infecÃ§Ãµes sexualmente transmissÃ­veis. Embora as adolescentes que receberam a vacina contra o HPV tenham tido uma maior taxa de infecÃ§Ãµes sexualmente transmissÃ­veis, essa diferenÃ§a foi estabelecida antes da vacinaÃ§Ã£o ocorrer e nÃ£o foi resultado dela. Por outro lado, este resultado sugere que as adolescentes sob risco aumentado de doenÃ§a sexualmente transmissÃ­vel podem ter tido uma taxa mais alta de vacinaÃ§Ã£o contra o HPV, possivelmente devido a um diagnÃ³stico de doenÃ§a sexualmente transmissÃ­vel. Os aumentos de incidÃªncia das infecÃ§Ãµes sexualmente transmissÃ­veis observados em ambos os grupos ao longo do tempo destacam a importÃ¢ncia da vacinaÃ§Ã£o precoce contra o HPV, antes da potencial exposiÃ§Ã£o a esse vÃ­rus. Para mais informaÃ§Ãµes, veja o tÃ³pico Vacina contra o papilomavÃ­rus humano na DynaMed.>) ([evidência de nível 2 \[médio\]](https://dynamed.ebscohost.com/content/LOE))

A vacinação rotineira contra o papilomavírus humano (HPV) é recomendada para todas as crianças de 11-12 anos de idade e é aprovada em adolescentes e adultas jovens até 26 anos de idade com o objetivo principal de prevenir cânceres associados ao HPV, particularmente o câncer de colo uterino ([MMWR Recomm Rep 2014 Aug 29;63(RR-05):1](http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25167164?dopt=Abstract), [CA Cancer J Clin 2007 Jan-Feb;57(1):7](http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/17237032?dopt=Abstract), [Obstet Gynecol 2014 Mar;123(3):712](http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24553168?dopt=Abstract),[ Pediatrics 2012 Mar;129(3):602](http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22371460?dopt=Abstract)). Embora as taxas de vacinação venham aumentando constantemente desde que a vacina quadrivalente contra o HPV recebeu a primeira aprovação da FDA para meninas e mulheres em 2006, é comum perderem-se oportunidades de vacinação. Em 2013, a cobertura vacinal para meninas com idades entre 13 e 17 anos foi de 57,3% para ≥ 1 dose e apenas 37,6% receberam todas as três doses recomendadas ([MMWR Morb Mortal Wkly Rep 2014 Jul 25;63(29):620](http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25055185?dopt=Abstract)). Várias barreiras à vacinação já foram descritas ([Prev Med 2014 Jan;58:22](http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24176938?dopt=Abstract)), mas a maior atenção tem sido dada aos efeitos da vacinação sobre a sexualidade adolescente. Especificamente, tem-se argumentado que a vacinação contra o HPV leva à atividade sexual mais precoce e aumenta os comportamentos sexuais de risco [(J Health Commun 2010 Mar;15(2):205](http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20390987?dopt=Abstract), [BMC Public Health 2014 Jul 9;14:700](http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25004868?dopt=Abstract)). Um estudo recente comparou as incidências de infecções sexualmente transmissíveis entre 21.610 adolescentes do sexo feminino com idades entre 12 e 18 anos que receberam pelo menos uma dose da vacina contra o HPV nos Estados Unidos contra 186.501 adolescentes com características semelhantes, mas não vacinadas, utilizando dados longitudinais de seguradoras.

As adolescentes vacinadas e não vacinadas foram pareadas por idade, residência e plano de saúde, mas foram permitidos vários controles não vacinados para cada adolescente vacinada. As taxas de vacinação variaram de maneira significativa por região geográfica dos EUA e as taxas mais baixas foram encontradas no Sul. As taxas de infecções sexualmente transmissíveis das adolescentes vacinadas e não vacinadas foram determinadas para o período de tempo que incluiu um ano antes e um ano após a vacinação. No ano anterior à vacinação, as adolescentes que receberam a vacina contra HPV tiveram uma incidência significativamente maior de qualquer doença sexualmente transmissível e um maior percentual de uso de contraceptivos orais. Para controlar estas diferenças iniciais, foi realizada uma análise do tipo “diferenças-em-diferenças” comparando as mudanças nas incidências das infecções sexualmente transmissíveis do ano anterior à vacinação até 1 ano após a vacinação nos grupos vacinado e não vacinado. As taxas de doenças sexualmente transmissíveis aumentaram em ambas as populações no ano posterior à vacinação. A análise “diferenças-em-diferenças”, no entanto, não apresentou diferença significativa nas infecções sexualmente transmissíveis entre as adolescentes vacinadas e não vacinadas (odds ratio 1,05, IC de 95% 0,8-1,38). Resultados semelhantes foram encontrados nas análises de subgrupos de adolescentes com idades entre 12 e 14 anos e 15 e 18 anos e de adolescentes que usavam medicamentos anticoncepcionais.

Os resultados deste estudo sugerem que a vacinação contra o HPV não está associada a aumentos nas infecções sexualmente transmissíveis. Embora as adolescentes que receberam a vacina contra o HPV tenham tido uma maior taxa de infecções sexualmente transmissíveis, essa diferença foi estabelecida antes da vacinação ocorrer e não foi resultado dela. Por outro lado, este resultado sugere que as adolescentes sob risco aumentado de doença sexualmente transmissível podem ter tido uma taxa mais alta de vacinação contra o HPV, possivelmente devido a um diagnóstico de doença sexualmente transmissível. Os aumentos de incidência das infecções sexualmente transmissíveis observados em ambos os grupos ao longo do tempo destacam a importância da vacinação precoce contra o HPV, antes da potencial exposição a esse vírus.

Para mais informações, veja o tópico [Vacina contra o papilomavírus humano](http://web.b.ebscohost.com/dynamed/detail?sid=45a26eac-c8ce-4bd8-a23c-489949eb5578%40sessionmgr120&vid=0&hid=106&bdata=JnNjb3BlPXNpdGU%3d#AN=356345&db=dme) na DynaMed.