   # Viajando com este ensaio da psilocibina para a dependência do álcool

 

 

      MBE em Foco - Volume 8, Issue 16 

Referência: [JAMA Psychiatry. 2022 Ago 24 early online](https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36001306/)

**Conclusão clínica para levar para casa: Não comece a recomendar cogumelos mágicos para tratar a dependência do álcool ainda. Considere tentar a psicoterapia, que já demonstrou que funciona.**

**Pílula da MBE: Tanto o viés de auto-seleção quanto o viés de recordação e uma intervenção de controle inadequada, que leva a um cegamento inadequado, podem resultar em superestimação do benefício em favor da intervenção.**

Um ensaio recente publicado na JAMA Psychiatry recebeu muita atenção pelo que parecem ser efeitos impressionantes da psilocibina, o ingrediente psicoativo em certos cogumelos “mágicos”, para diminuir o uso do álcool em adultos com dependência alcoólica. Mas esse psicodélico é realmente o antídoto mágico para o alcoolismo pelo qual esperávamos?

O recrutamento para o estudo começou com anúncios na mídia local oferecendo 12 semanas de TCC e entrevistas motivacionais para a dependência de álcool e a chance de receber psilocibina para tratamento médico. Como bônus, todos receberam psilocibina gratuitamente ao final do ensaio, independentemente do grupo de atribuição. Noventa e cinco adultos com dependência alcoólica foram randomizados para receberem uma única dose de psilocibina ou difenidramina na semana 4 e novamente na semana 8 durante cada uma de duas sessões de orientação motivacional estendidas para durarem o dia inteiro. E foi isso - duas doses.

A coleta de dados se estendeu por 32 semanas após a primeira dose de medicação e mostrou que o percentual autorrelatado de dias de consumo pesado foi menor no grupo da psilocibina (9,7% vs. 23,6%). O consumo diário de álcool também foi menor no grupo da psilocibina. Curiosamente, não houve eventos adversos relacionados à psilocibina, mas alguns pacientes do grupo da difenidramina tiveram internações psiquiátricas e um teve uma laceração de Mallory Weiss.

Cogumelos mágicos: não há nada que eles não possam fazer, certo? Bem, os métodos escolhidos para este ensaio podem ter feito os cogumelos parecerem mais mágicos por várias razões. Primeiro, temos o viés de auto-seleção. Algo é inerentemente diferente em uma população que responde a um anúncio em comparação com aqueles que não o fizerem. Os participantes deste ensaio provavelmente pensaram que a intervenção funcionaria, o que nos leva ao segundo problema: cegamento inadequado. Mais de 90% dos participantes e dos terapeutas do estudo adivinharam corretamente a atribuição do tratamento durante as sessões de medicação. Então, isso em associação com o viés de auto-seleção significa que as pessoas do grupo de controle descobriram que não tinham recebido a psilocibina e foram mais propensas a pensarem que sua intervenção não funcionaria. Em terceiro lugar, os pesquisadores perguntaram sobre beber a cada 4 semanas; tentar lembrar o quanto você bebeu um mês atrás pode ser um pouco difícil, e isso pode resultar em viés de recordação. Há certamente razões para se esperar que a psilocibina seja uma opção terapêutica potencial para a dependência do álcool. Mas, em última análise, isso exigirá um estudo mais rigoroso.

Para mais informações veja o tópico [Transtorno por Uso de Álcool](https://www.dynamed.com/condition/alcohol-use-disorder) na DynaMed.

**Equipe editorial do MBE em Foco da DynaMed**

Este MBE em Foco foi escrito por Nicole Jensen, MD, médica de família da WholeHealth Medical. Editado por Alan Ehrlich, MD, editor executivo da DynaMed e professor associado de Medicina de Família na faculdade de medicina da Universidade de Massachusetts; Katharine DeGeorge, MD, MSc, editora adjunta da DynaMed e professora associada de Medicina de Família na Universidade da Virgínia; Dan Randall, MD, editor adjunto da DynaMed; Vincent Lemaitre, PhD, autor médico sênior na DynaMed; e Sarah Hill, MSc, editora associada da DynaMed.