Velhos remédios e novos truques—metformina para a osteoartrose do joelho

MBE em Foco - Volume 12, Issue 15

Referência: JAMA. 2025 May 27;333(20):1804-1812

Conclusão prática: A metformina pode ajudar a reduzir a dor nos joelhos e melhorar a funcionalidade em adultos com sobrepeso, obesidade e osteoartrose sintomática no joelho.

Pérola da MBE: Os ensaios realizados por meio de telemedicina podem ser convenientes, mas também podem estar sujeitos ao viés de inclusão.

A osteoartrose dos joelhos afeta desproporcionalmente os idosos com sobrepeso ou obesidade, frequentemente resultando em dor crônica e redução da capacidade funcional. Pesquisas recentes estão investigando o potencial da metformina—um medicamento bem estabelecido no tratamento do diabetes tipo 2—como uma possível terapia para a osteoartrose do joelho. Será que esse medicamento com décadas de estrada poderia oferecer uma abordagem inovadora para lidarmos com a degeneração articular e a carga sintomática nessa população?

Um estudo recente realizado na Austrália apresenta evidências preliminares de que a metformina pode ajudar. Este estudo, que utilizou principalmente métodos baseados em telemedicina, avaliou 107 adultos com mais de 40 anos de idade (em sua maioria mulheres) com osteoartrose sintomática nos joelhos e sobrepeso ou obesidade, os quais foram randomizados para tomarem metformina ou placebo por 6 meses. Os pacientes foram recrutados na comunidade por meio de contatos locais e redes sociais. A metformina foi administrada em uma formulação de liberação prolongada e ajustada ao longo de 6 semanas, de 500 mg uma vez ao dia para 2000 mg uma vez ao dia. Notadamente os pacientes com diabetes, dor intensa nos joelhos (escore na escala analógica visual [VAS] > 80mm) e artrite inflamatória foram excluídos. Houve duas consultas presenciais ou por telemedicina (no início do ensaio e após 6 meses). O índice de massa corporal inicial médio foi de 32,7 kg/m², e a pontuação média de dor na VAS foi de 59-60mm (dor no joelho moderada) na semana anterior ao recrutamento.

Comparada à do grupo de controle, a dor a 6 meses foi cerca de 11-12mm menor no grupo da metformina. Embora essa diferença tenha sido estatisticamente significativa (variação média na VAS de -31mm vs. -18mm com o placebo, IC de 95%: -20 a -2mm), os autores haviam pré-determinado que a diferença clinicamente importante mínima seria de 15mm. Como o IC de 95% (a diferença entre grupos que esperaríamos observar fora deste estudo em 95% das vezes) incluiu diferenças que variaram de 2 a 20 milímetros, a significância clínica é incerta. Dito isso, as pontuações no Western Ontario and McMaster Universities Osteoarthritis Index (WOMAC) para dor, rigidez e funcionalidade também melhoraram. O interessante é que o peso foi apenas marginalmente reduzido com a metformina (-1,8 kg vs. -1,2 kg com o placebo). Eventos adversos são o que se esperaria com a metformina (ou seja, diarreia e dor abdominal), e eles não resultaram em viés de atrito. Apenas 3 pacientes interromperam a metformina de modo permanente devido a efeitos adversos.

Claro, devemos reconhecer as limitações de realizar um ensaio clínico com o uso da telemedicina. Nenhuma medida objetiva da funcionalidade pôde ser avaliada—não houve exames físicos! Desfechos fundamentais, como o peso e as características artríticas, foram aferidas somente por meio de autorrelato, e apenas 38% dos participantes enviaram de volta a medicação restante conforme lhes havia sido instruído para avaliação da adesão. Também pode ter havido vieses resultantes do recrutamento comunitário via redes sociais, e daqueles que tinham acesso à telemedicina. Isso necessariamente restringe a população àqueles com recursos financeiros e sociais para poderem acessar telemedicina. No entanto, a metformina mostrou potencial onde importa: menos dor e melhor funcionalidade. E um bônus: a metformina é barata (relativamente falando) em comparação às outras opções de tratamento, e sua segurança já está bem estabelecida. Medicamentos antigos podem oferecer uma nova esperança para milhões de pessoas que vivem com dores nos joelhos.

Para mais informações veja o tópico Medicamentos para osteoartrose (OA) do joelho na DynaMed.

Equipe editorial do MBE em Foco da DynaMed

Este MBE em Foco foi escrito por McKenzie Ferguson, PharmD, BCPS, redatora médica sênior da DynaMed. Editado por Alan Ehrlich, MD, FAAFP, editor executivo da DynaMed e professor associado de Medicina de Família na faculdade de medicina da Universidade de Massachusetts; Katharine DeGeorge, MD, MSc, editora adjunta sênior da DynaMed e professora associada de Medicina de Família na Universidade da Virgínia; Dan Randall, MD, MPH, FACP, editor adjunto sênior da DynaMed; Gayle Sulik, PhD, editora médica sênior e líder da equipe de cuidados paliativos da DynaMed; Rich Lamkin, MPH, MPAS, PA-C, redator médico da DynaMed; Matthew Lavoie, BA, revisor médico sênior da DynaMed; Hannah Ekeh, MA, editora associada sênior II da DynaMed; e Jennifer Wallace, BA, editora associada sênior da DynaMed. Traduzido para o português por Cauê Monaco, MD, MSc, docente do curso de medicina do Centro Universitário São Camilo.